sábado, 23 de março de 2013

Ela Não Merece...


Ela não merece a felicidade.
Ela é negra,
Cabelo ruim,
Perambulando pela cidade.

Pouca idade,
Roupas velhas, bregas,
Atitude leve e risonha,
Quase anônima,
Se não houvesse milhões iguais por aí.

Ela não merece nada,
Anda com a farda da favela,
Da novela das oito,
Que todos veem, admiram.
Mas depois das emoções,
Desligam a televisão.

Ela é quase gente,
Seu olhar sorridente,
Ardente como o sol
Mas nunca aceito,
Como os preconceitos,
Do nosso pobre peito.

Ela é meu povo, 
Roubado de novo -
Esquecido,
Enxotado,
Enganado como bobo
Sem saber que temos
A alma e coração
Que um dia será
Visto em uma foto de uma rebelião...

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Sertão.


A seca meu sertão assola,
Minhas lágrimas minha sede mata,
O gume do facão amola,
O cacto, minha fome farta.

O poeta na caatinga morre,
O seus versos de cordel resseca,
O espírito da seca foge,
Nas mulheres que carregam latas.

Minha poesia, agora se cala,
Na dor dos meninos magros,
No agreste que a fome instala,
Que deixei no pó da estrada...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Ignorância.


O homem que se julga superior,
Se acha o ícone da retidão,
Da sofisticação
Esquece-se do seu berço e sua raiz.
Que somos feitos de humor,
Muitas vezes ácidos e até inocente.
Um povo que muitas vezes ri de suas próprias mazelas,
Que critica a intolerância,
Esbarra em "seres iluminados"
Que tem ânsia de crucificação
Com ares de santidade absoluta
Com sua inteligência e cultura "maior".
Viva a "santidade da moral e da cultura popular"...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Silêncio...


A chuva não para,
O tempo não cala,
E o que resta é cansaço e silêncio...
O ônibus passa cheio,
As pessoas olham sem desejo
E o que resta é cansaço e silêncio...
Requenta o almoço
Sem luxo e insosso
E o que resta é cansaço e silêncio...
E os minutos engatinham,
Os carros buzinam
E o que resta é cansaço e silêncio...
Bate ponto, roda – se molha,
O caminho pedregoso,
Lama engole as pernas,
Passos pesados, compassados
Sem forças para gritar odiar.
Venta frio...
E o que resta é cansaço e silêncio...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Déspotas...

Não te preocupe em fugir dos déspotas,
Eles te levantarão da tua cama,
Ama a teus colhões para que não perca tamanho;
Que teu banho não seja em ácido;
Com a coragem frouxa, bamba e flácida;
A vaidade te espreita,
E a maldade o cerca,
Volta-te para dentro,
Engole teu soluço e lamentos
E segue em frente,
Pois o mundo não para,
E excita a mente...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Recar-reggae


Teu reggae
Me segui
Consegui
Me lançar
À tua boca,
Louca,
Linda,
Vinda das terras Caraíbas.

Recarregue 
As pilhas do seu coração,
Com milhas de distância da razão,
Minha matriarca filha,
Complemento d'art.
Trilhas que se seguem
Além das palavras que se vão.

O mar, as ondas,
A brisa sonda minh'alma estraçalhada
Que você deixou pela estrada.

Pra todo mundo
Ver o fim de tudo,
Ver a turma 
Boca aberta,
A reca te curtindo como um reggae.

Venha para os braços meus -
Recarregue -
Venha que os meus são teus -
Recarregue -
Teu amor, tua sina  -
Recarregue -
Ser meu chão de Minas -
Recarregue...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os Orfãos


Somos filhos da solidão
Com os pés amarrados á multidão.
Não conseguimos ver a nós mesmos
Nem mesmo diante do espelho.

O frio que congela a alma
Como a correnteza lenta e calma,
Nos arrasta pra muito longe,
Onde nossa coragem se esconde.

Tua presença
Destrói-me como uma doença,
Que nunca sai sem deixar sequelas -
O ciclone devastando a terras.

Ainda com todos a minha volta,
O álcool e todas as risadas soltas,
Possam enganar tudo em meu caminho,
Faço de minhas taças de vinhos,
Minha viagem para o centro do nada,
Da camada vazia do meu peito,
Por direito, me acusa as lágrimas
Ser teu escravo pela eternidade...