Olhei aquele jardim ao
longe
Onde minhas vistas descansavam.
Os mesmos dias,
As mesmas horas,
Ali parava num singelo momento
Com aquele instante de paz ao
sabor do vento.
Contemplava sua beleza,
Sua vida, sua flora.
No meio daquele vergel
Olhava para o infinito céu,
Sentia a liberdade gritar no
meu peito
Feito a mãe-fera a defender
seu filhote.
Mas no meio da calmaria
avistei-a,
Com fúria santa,
Destruindo silenciosamente o
que crescia ao seu redor,
O jasmim mais lindo que já vi.
Neste momento, nada era real,
O fim de tudo era o nada,
Minhas poesias efêmeras.
A beleza sucumbia ao jasmim
O fruto mais apetitoso da
espada.
Mas esse jasmim que se insinuava
com seu perfume
Une a beleza e a dor.
Não era meu, seus desejos
Seu amor.
Aquela flor singela,
Pérfida.
Escondia seu vicio.
O ilícito estancado na alma.
Da forma mais cruel me deixou.
Risonha e bela.
Pétalas ao vento,
Abriu-se ao céu e se foi.
Suas folhas murchas.
Mancham minh’alma resentida.
E assim vivo preso a frente do
jardim
Com uma dor brutal e sem fim.
Mas não é culpa dela
É o poeta que erra
Quando rima seus amores
A fragilidade das flores
E assim procuro um motivo
Para seguir meu caminho...