segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Acabou(?)

E o que se previa aconteceu.
Os velhos maias escreveram com temor.
Eu esperava atentamente
E assim começou aquele ardor.

As rubras rochas vieram aos montes
E o que era desânimo virou pavor
Fugiam para as cruzes, os deuses e os monges
E o que era ódio virou "amor".

E as rochas rasgando o céu
apavoraram os soldados
O ouro, gosto extasiante  mel
foi esquecido, isolado.

E chegaram as rochas
Chegaram o choro e gemido 
Chegaram os lamentos e arrependimentos
Chegaram os furacões.

E era grito
E era inferno
Era fogo
e era.
Nada mais é.

E do sangue se formaram rios
e o fogo era tudo
e sobrou  apenas gemidos
e limpou-se o que era imundo

No fundo...
A destruição era o que sobrou.
Sobrou fumaça,
sobrou cinza...

Acabou...

Acabou...


Nada...

E alí, chegou a chuva...

Choveu...

Ventou...

Choveu, choveu...

Ventou...

Num canto cinzento, pigmentou  o verde.
O tímido verde...
Florescerá?
Se repetirá?
E o verde floresceu...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Sou orgia

Sofri o osso quebrado encanado.
No caminho de terra caminhado
Estendi a minha mão machucada
Quando me rasgava as farpas afiadas.
Chamei-te grunhindo  enrouquecido.
Desnudado das vestes fedidas
Poderia ter sido a foda vulgar
A trepada animal
O carinho do afagar
Ou amor transcendental
Mas não sou coisa que não vejo 
E vejo-me em coisas que não sou.
Não sou o dinheiro que não veio.  
Não a falta de sorte ou o sorteio.
Sou orgia, folia, fobia e ornamento.
Sou o Sol, a radiação solar
A voz do povo, o canto popular.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Assustado



Era um trajeto seguro
O único medo era ser sufocado pelo tédio.
mas quando me deparei com o seu olhos de índia,
o mundo ficou muito mais estranho.
Como uma fera - arredia e cercando de forma calma -
Atacou...
senti o sangue esquentar com a violência do seu olhar ingênuo.
uma nova criança nasceu.
Era tanta luz que acabou por deixa-lo cinza.
morri outra vez.
sem que já fosse contado nas viagens do meu pensamento
o tormento me abraçou com afago de uma amante
ao ponto de sentir sangue no beijo mais calmo
e a luz insistiu em não sair.
Por que você apareceu do meio das minhas maldades?
Por que insiste em me fazer recuar em escolhas que já fiz?

O Assassino

Hoje não tive piedade.
A muito tempo o espreitava.
Já não aguentava mais esse homem de meia idade.
Meu ódio a ele me sangrava

Não deu outra:
Fiquei, como sempre, a observa-lo
Esperei-o em sua alcova
E matei-o

Vi aquele homem doente caído
Meu sangue pulsava de ódio
Queria ainda chutar esse ser esvaído
Cego, Hipópio

Continuei a olhar esse ser
Olhando assim, não era tão ruim
Estranhei-me ao ódio e ao maldizer
Contemplei em silêncio, o seu fim.

Esse homem passou a não ser tão odiado
Talvez não tenha tido tantas opções assim
Um homem que corria muito, rodado
Adoeceu pelo caminho até ficar assim

Olhei-o mais profundamente
Sua pernas eram próximas as minhas
Ele me parecia careca totalmente
Suas sombranscelhas eram igualzinhas

Reconheci
Sou eu
O lado que não quero mais
O lado que em mim morreu

Esse ser não teria mais lugar por aqui
Então um de nós precisa continuar
Não quero as chagas que trás assim
Por que eu ainda quero caminhar...

domingo, 1 de outubro de 2017

As Sementes Invisíveis

Eram tantas sementes que recolhi nos campos que nem sei.
Eram verdes, amarelas, cinzas, negras...
Colhi várias de uma só vez
Algumas imponentes e outras nem tanto, efêmeras

Mas colhi e levei
Entrei nos meus campos para semeadura
Eram tantas sementes que mal pensei
Que teria tanta beleza e fartura

Mas as semente são muitas
Não sei quais eram boas ou não
Não sei se brotarão futuras risadas gratuitas
Ou os lamentos dos que chorarão

Plantei
Plantei
Mesmo assim plantei

Continuo regando para ver se elas crescem
Para sentir o sabor dos frutos
Para admirar, suas folhas, que ao vento se mexem
E descansar em seus arbustos...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Vazio (Palavras Distorcidas)

E o vazio foi tão grande que transbordou em minha consciência.
Te tão "nada", foi que o deserto trouxe o vento.
O vento inconsequente, trouxe a ti.
E o vazio que me enchia, ficou inexistente,
Uma inexistência que você cobria.
E de cheio de "nada" me esvaziei da tristeza 
E me enchi de você...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Vento

Estou a vários metros de altura
O vento sussurra ao meu ouvido 
Diz me assim: Voe rapaz, fuja da amargura!
Mas não sei voar - apenas olhar o infinito

Carrego um cesto vazio
Este meu coração que não cabe no peito
Mas ainda fico a sacada em desafio
Enxergando no asfalto meu leito

O vento sussurra que sou Deus
O Deus que morre no final
Deus? Não salvo o  melhor pedaço meu
Como posso ser tão colossal?

Então volto-me a conversar com vento
Neste clima frio de inverno
Retratando teus olhos marejados
Me jogo da onipotência ao infinito inferno

Ainda ouço o vento...