segunda-feira, 21 de maio de 2018

O Frio

O frio habita as ruas.
As mãos geladas
Os pés quietos.
Pessoas andam...

Andei sem rumo apenas para me esquentar.
Esquentar...
O frio permeia minha alma.
Congela minha retina.
Não enxergo, apenas tremo.
Congelando das veias ao fêmur.

A congelei as mãos.
Meu corpo frio congela tudo ao redor.
Ela veio estender-me a mão.
Acho que era para aquecer-me então
Mas ela vinha do frio também.
E as mãos dadas era para esquecer a solidão.

Talvez o frio venha da falta de abraços.
Talvez do vento frio do caminho.
Pode ser da falta de passos.
Ou da falta do vinho...

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Desnudado(Fragmentos)

"Estive alí parado, desnudado. 
Parecia uma criança que fugia das bombas, correndo pelado tentando no tempo e espaço, 
o meu encontro em mim, 
meu pedaço."

quarta-feira, 18 de abril de 2018

As Histórias(Diálogo em linhas retas e tortas)

E contaram-te uma história.
Essa história era longa, muito longa.
Os fonemas que saiam pelo ar foram escritos em linhas retas.
De tão retas, perdiam-se no horizonte.
Um texto muito bem escrito.
Um texto simples e obedecendo todas as regras ortográficas.
É muito certinho esse texto, 
Dava até gosto de ler.
Uma história bem estruturada,
Tinha começo, meio e fim.
Mas algo me soava estranho.
Era muito certo.
Certo demais.
A perfeição dos personagens era intrigante.
O herói era cintilante como sol das manhãs,
A mocinha sempre surrada pela vida.
O vilão - ah, o vilão. 
O clichê em pessoa. 
Cruel e fugaz.
Nada fora da normalidade.
Das histórias típicas.
Da cultura das histórias.
Mas a história já estava pronta e muito conhecida.
Não precisamos conhecer a história da história.
E assim é.
Li
Re-li
Mas descobri que as linhas retas tinham lacunas na história
E de tão perfeita se tornava torta.
Percebi que as histórias nunca serão retas.
A linha que se escreve as histórias nem sempre são retas.
Mesmo que insistimos a ve-la reta.
Mas não é reta.
E não será.
Então, ficarei aqui.
Admirando minha história em linhas tortas
E torcendo pelos que só enxergam a linha reta.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Das Terras Negras

E ela brotava da terra negra.
Terra que nutria mais que as outras terras.
E ela era bonita.
Era planta,
Era vento,
Era chão,
Era incêndio.
Ela era o mundo!
Mas um dia
O que era colorido,
Ficou opaco.
E a tela ficou sem cor
E não teve risada,
Ficou mudo.
E mudou
E o tempo partiu seu espírito.
E isso também partiu meu espírito.
E a terra escura,
Ficou terra cinza.
Virou terra dos cínicos.
E o que era grande
Se apequenou. 
Mas no fundo,
Se cumprirá a regra.
Ela é bonita de alma grande,
Nascida a terra negra...

quarta-feira, 14 de março de 2018

Choveu,choveu...choveu...

E eu andava como um perdido mendigo triste
e assim houve lágrimas do céu.
As lágrimas eram duras e eu pouco preocupado.
Andava cabisbaixo e desarmado
Abri meu guarda-chuva e sorri.
Meu mundo alagava em chuva
Mudava o tempo e a temperatura
Mas eu "nem aí".
Fui com meu guarda-chuva aberto,
furando, queimando e fui.
O alagamento de fogo veio
Se plantou na terra
e eu fui...
Sorridente, fui...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Em chamas.

Eu andava só
e sozinho sentia o pó
da estrada tão estranha mas segura.
A fervura que eu não queria, morava nas
entranhas do inferno, mas não a queria.
Naquela estrada,
ali eu me escondia
mas o amor é covarde
Invade um peito que não quer alucinação
E eu que não sei amar, desarrumava-me.
E o inferno se abril na minha frente
fui engolido pelo diabólico sentimento.
Não era brincadeira.
e as chamas eram inacreditáveis
Enquanto ela sorria, meu corpo se contorcia
Ardia.
Não quero esse inferno.
Não sou Dante.
Não sou subalterno
Não sou corrupto, meliante.
Mas estava ali.
Queimando,
O corpo em chamas
Não quero mais o inferno
Não quero mais...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Acabou(?)

E o que se previa aconteceu.
Os velhos maias escreveram com temor.
Eu esperava atentamente
E assim começou aquele ardor.

As rubras rochas vieram aos montes
E o que era desânimo virou pavor
Fugiam para as cruzes, os deuses e os monges
E o que era ódio virou "amor".

E as rochas rasgando o céu
apavoraram os soldados
O ouro, gosto extasiante  mel
foi esquecido, isolado.

E chegaram as rochas
Chegaram o choro e gemido 
Chegaram os lamentos e arrependimentos
Chegaram os furacões.

E era grito
E era inferno
Era fogo
e era.
Nada mais é.

E do sangue se formaram rios
e o fogo era tudo
e sobrou  apenas gemidos
e limpou-se o que era imundo

No fundo...
A destruição era o que sobrou.
Sobrou fumaça,
sobrou cinza...

Acabou...

Acabou...


Nada...

E alí, chegou a chuva...

Choveu...

Ventou...

Choveu, choveu...

Ventou...

Num canto cinzento, pigmentou  o verde.
O tímido verde...
Florescerá?
Se repetirá?
E o verde floresceu...