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O frio habita as ruas.
As mãos geladas
Os pés quietos.
Pessoas andam...
Andei sem rumo apenas para me esquentar.
Esquentar...
O frio permeia minha alma.
Congela minha retina.
Não enxergo, apenas tremo.
Congelando das veias ao fêmur.
A congelei as mãos.
Meu corpo frio congela tudo ao redor.
Ela veio estender-me a mão.
Acho que era para aquecer-me então
Mas ela vinha do frio também.
E as mãos dadas era para esquecer a solidão.
Talvez o frio venha da falta de abraços.
Talvez do vento frio do caminho.
Pode ser da falta de passos.
Ou da falta do vinho...
"Estive alí parado, desnudado.
Parecia uma criança que fugia das bombas, correndo pelado tentando no tempo e espaço,
o meu encontro em mim,
meu pedaço."
E contaram-te uma história.
Essa história era longa, muito longa.
Os fonemas que saiam pelo ar foram escritos em linhas retas.
De tão retas, perdiam-se no horizonte.
Um texto muito bem escrito.
Um texto simples e obedecendo todas as regras ortográficas.
É muito certinho esse texto,
Dava até gosto de ler.
Uma história bem estruturada,
Tinha começo, meio e fim.
Mas algo me soava estranho.
Era muito certo.
Certo demais.
A perfeição dos personagens era intrigante.
O herói era cintilante como sol das manhãs,
A mocinha sempre surrada pela vida.
O vilão - ah, o vilão.
O clichê em pessoa.
Cruel e fugaz.
Nada fora da normalidade.
Das histórias típicas.
Da cultura das histórias.
Mas a história já estava pronta e muito conhecida.
Não precisamos conhecer a história da história.
E assim é.
Li
Re-li
Mas descobri que as linhas retas tinham lacunas na história
E de tão perfeita se tornava torta.
Percebi que as histórias nunca serão retas.
A linha que se escreve as histórias nem sempre são retas.
Mesmo que insistimos a ve-la reta.
Mas não é reta.
E não será.
Então, ficarei aqui.
Admirando minha história em linhas tortas
E torcendo pelos que só enxergam a linha reta.
E ela brotava da terra negra.
Terra que nutria mais que as outras terras.
E ela era bonita.
Era planta,
Era vento,
Era chão,
Era incêndio.
Ela era o mundo!
Mas um dia
O que era colorido,
Ficou opaco.
E a tela ficou sem cor
E não teve risada,
Ficou mudo.
E mudou
E o tempo partiu seu espírito.
E isso também partiu meu espírito.
E a terra escura,
Ficou terra cinza.
Virou terra dos cínicos.
E o que era grande
Se apequenou.
Mas no fundo,
Se cumprirá a regra.
Ela é bonita de alma grande,
Nascida a terra negra...
E eu andava como um perdido mendigo triste
e assim houve lágrimas do céu.
As lágrimas eram duras e eu pouco preocupado.
Andava cabisbaixo e desarmado
Abri meu guarda-chuva e sorri.
Meu mundo alagava em chuva
Mudava o tempo e a temperatura
Mas eu "nem aí".
Fui com meu guarda-chuva aberto,
furando, queimando e fui.
O alagamento de fogo veio
Se plantou na terra
e eu fui...
Sorridente, fui...
Eu andava só
e sozinho sentia o pó
da estrada tão estranha mas segura.
A fervura que eu não queria, morava nas
entranhas do inferno, mas não a queria.
Naquela estrada,
ali eu me escondia
mas o amor é covarde
Invade um peito que não quer alucinação
E eu que não sei amar, desarrumava-me.
E o inferno se abril na minha frente
fui engolido pelo diabólico sentimento.
Não era brincadeira.
e as chamas eram inacreditáveis
Enquanto ela sorria, meu corpo se contorcia
Ardia.
Não quero esse inferno.
Não sou Dante.
Não sou subalterno
Não sou corrupto, meliante.
Mas estava ali.
Queimando,
O corpo em chamas
Não quero mais o inferno
Não quero mais...
E o que se previa aconteceu.
Os velhos maias escreveram com temor.
Eu esperava atentamente
E assim começou aquele ardor.
As rubras rochas vieram aos montes
E o que era desânimo virou pavor
Fugiam para as cruzes, os deuses e os monges
E o que era ódio virou "amor".
E as rochas rasgando o céu
apavoraram os soldados
O ouro, gosto extasiante mel
foi esquecido, isolado.
E chegaram as rochas
Chegaram o choro e gemido
Chegaram os lamentos e arrependimentos
Chegaram os furacões.
E era grito
E era inferno
Era fogo
e era.
Nada mais é.
E do sangue se formaram rios
e o fogo era tudo
e sobrou apenas gemidos
e limpou-se o que era imundo
No fundo...
A destruição era o que sobrou.
Sobrou fumaça,
sobrou cinza...
Acabou...
Acabou...
Nada...
E alí, chegou a chuva...
Choveu...
Ventou...
Choveu, choveu...
Ventou...
Num canto cinzento, pigmentou o verde.
O tímido verde...
Florescerá?
Se repetirá?
E o verde floresceu...