terça-feira, 10 de julho de 2012

Re-construir


Reconstruir...
Montar, cortar, acrescentar, incluir...
Se passo o dia calculando
Haverá de, muitos tijolos, eu empilhar.
E serão empilhados...
Fazer do árduo presente
Um futuro novo,
Que expresse em meu rosto
A alegria do continuar...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desabafo de um cidadão brasileiro...


Sentado em meu quarto, viajo entre as rachaduras que nele estão.
Parte-me a alma saber que um homem trabalha a vida toda, de sol-a-sol para se deitar em seu leito pobre– que na maioria das vezes não é de fato seu - sem expectativa, sem um lugar decente para descansar seus ossos moídos pela longa jornada.
É para mim, estranho, pensar que temos uma constituição que fala em seu artigo sexto a obviedade de que um cidadão tem garantido seus mais primários direitos a subsistência. Morar? Ter moradia? Morar dignamente? Perguntas que se tornam tolas quando a seu conteúdo obvio. Vendo uma família em baixo de marquises, passando fome e frio e pior: tendo a dignidade roubada pelos longos anos de trabalho escravo. E onde está o cumprimento dessa lei? Onde está a lei para aqueles que ficam anos a procurar sua dignidade concretada em tijolos e cimento? Somos peças de uma maquina capitalista que corrompe a massa, deixando-a pensar que moradia, educação e outros itens deste porte são bem menos importantes que um Ipod. O sustento de seus filhos e filhas sendo degradado a cada dia por uma escória capitalista que nos suga, sangra, corrompe e escraviza nos dando em troca, pão e carnaval. Ainda que tenhamos um governo progressista, eu quero mais. Quero poder ver minhas filhas crescendo com condições de não ser escravizadas como eu fui e ainda sou. Quero poder me recolher, junto a mulher que amo, a dignidade de uma moradia descente. Quero poder ter em minhas mãos as chances e o verdadeiro controle da direção das coisas que tenho de melhor: Minha vida e minha família.
Assinado:
Cidadão Brasileiro.

sábado, 30 de junho de 2012

Alguém


Mar que banha meu ser,
Leito florido com perfume único
Deleitar-me no corpo seu.

Forma máxima de prazer,
Buscando meus desejos mais íntimos
Teste de fogo neste peito meu.

Galgar em todo meu querer,
Este lago profundo os lábios úmido,
Raros como azul do mar,
Gaudiando meus sonhos que se perdeu...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um Só...

"Passei minutos e o furto das palavras era perceptível.
Meus olhos ficavam passeando pelos seus olhos escondidos -
Tímidos - atrás dos seus óculos tortos.
Não entendia isso...
Dizer que te amo é estranho,
Banho meus pensamentos soltos com essa estranhesa.
Agora compreendo:
Amo o novo Eu.
Não posso amar-te,
Amar-te é amar alguém que se apalpa
E se busca.
Seria negar o óbvio:
Eu não sou mais eu,
e não és mais tu.
Somos um novo ser,
Um só,
Pois faz parte de mim..."

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Eu odeio Alphonsus de Guimarães e suas poesias...


Eu odeio Alphonsus de Guimarães e suas poesias
...
Escreve o que eu queria e deixa-me sem palavras,
No abismo da ignorância e na infâmia dos iletrados
Com grandes espaços das minhas sílabas sem sentido.

Eu odeio Alphonsus de Guimarães e suas poesias...
Suas rimas incríveis e seu romantismo profundo,
Seu genialismo absurdo 
Em versos longos ou curtos.

Eu odeio Alphonsus de Guimarães e suas poesias...
Sentindo-me num deserto de palavras, ainda arrogantes
Ofuscando minha idéia de ser poeta
O delírio dos amados e amantes

Eu odeio Alphonsus de Guimarães e suas poesias...
Mas se ele não as escrevesse,
Escreveria eu?
Se minhas dores ainda não são tão bem traduzidas por mim 
Poderia eu apossar dos versos seus?
Se eu vejo as cores da minha alma nos versos que leio,
Poderia enxergá-lo nu como meus amores no colo de minha amada e em teus seios,

Teria eu perfeitamente as escrito?
Se as letras que rabisco no papel com toda minha inspiração e ímpeto, são apenas letras
Poderia ser dono de tão belos versos
?

Na verdade,
Com toda minha força e vontade,
Eu odeio não ser Alphonsus de Guimarães e não ter escrito suas poesias.

domingo, 10 de junho de 2012

Deserto...


Meu espírito é um território árido. 
Nada cresce.
Nada floresce.
As permanentes tempestades de areia,
O deserto expande na minha alma
Que sua falta perpetua...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Jardim

Olhei aquele jardim ao longe
Onde minhas vistas descansavam.
Os mesmos dias,
As mesmas horas,
Ali parava num singelo momento
Com aquele instante de paz ao sabor do vento.
Contemplava sua beleza,
Sua vida, sua flora.
No meio daquele vergel
Olhava para o infinito céu,
Sentia a liberdade gritar no meu peito
Feito a mãe-fera a defender seu filhote.
Mas no meio da calmaria avistei-a,
Com fúria santa,
Destruindo silenciosamente o que crescia ao seu redor,
O jasmim mais lindo que já vi.
Neste momento, nada era real,
O fim de tudo era o nada,
Minhas poesias efêmeras.
A beleza sucumbia ao jasmim
O fruto mais apetitoso da espada.
Mas esse jasmim que se insinuava com seu perfume
Une a beleza e a dor.
Não era meu, seus desejos
Seu amor.
Aquela flor singela,
Pérfida.
Escondia seu vicio.
O ilícito estancado na alma.
Da forma mais cruel me deixou.
Risonha e bela.
Pétalas ao vento,
Abriu-se ao céu e se foi.
Suas folhas murchas.
Mancham minh’alma resentida.
E assim vivo preso a frente do jardim
Com uma dor brutal e sem fim.
Mas não é culpa dela
É o poeta que erra
Quando rima seus amores
A fragilidade das flores
E assim procuro um motivo
Para seguir meu caminho...