quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Penso, logo resisto...

Fiquei aqui parado
com medo de tudo
meio cético
meio surdo
Não sei se volto ao começo
ou se recomeço a andar
mas o que me faltou na alma
ganho quando, ao céu, volto a contemplar

Parei meio surdo
meio triste e louco
surto 
em um espaço turvo
mergulho em mim
bem fundo
no lodo, limbo,lixo...
murmuro
Reflito, penso,
logo resisto...

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mãe-Pátria II


Jovem com olhares cansado marejados

Pele espeça de tanta pancada, voz que se arrasta, falha

Caminhas o caminho pisado, cascalho nos pés descalços.

Andou retirando-se retirante.



Passou por favelas, vielas e o agreste,

Prestes a desistir, com fome, maltratada

Agredida em sua carne e em sua alma

Contando os dias que haverá a frente



Anda lentamente Não há tempo

Suas sementes já brotaram



Um que ficou numa cova rasa

Outro aquecido em suas entranhas

E eu em sua mão Direita calejada

Carregada e carregando



E aquilo que era fé

Virou dor

O que não se pode ter

Matou o amor

Minha mãe pátria suja me esquece numa esquina escura.

O que me sobrou agora

Foram os ratos

Os restos...

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Fixamente inconstante...

O frio que gelava minhas narinas queimava como o fogo
Gelado imóvel e contente.
Fogo que arde e desespera.
De tão gelado aqueço a mente.
Minha mente imóvel e ardente.
Sou semente que não germina
E a morte que renasce...

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Canção do Amanhã

Não andava,

Voava.

Olhos cintilantes, farol na noite.

Um brilho desconcertante, ofuscante

Pelo caminho caminhado, pisado.

A brisa sacudia seus cabelos.

Passava o mundo em câmera lenta.

E a brisa foi cessando,

E de fresco foi ficando árido.

Solo cada vez mais quente.

Calmamente estranho

Caminho vazio.

O vulto

O surto

O Insulto
O luto

E ela solto-me a mão,

Levantou os olhos

E desistiu do caminho

Não é normal para quem voa

(Voava aos nossos olhos)

Mas vinha presa,

No fundo do abismo da alma

Não via no espelho a mesma luz.

Preferiu outro caminho. 
Dizendo que voltava amanhã,

Soltou-me a mão e se foi.

Assim vi sua escuridão

Assim dimensionei seu verdadeiro clarão...

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O Veículo


Eu saí cedo com meu veículo.
Rodei pelas estradas sinuosas
Andei, andei, andei.
Peguei firme no volante e saí pelas vias,
Rodando,
Rodando com meu grande veículo, passava todo instante perto dos pontos
E deixava as pessoas entrarem.
Muita gente transportei,
O grande problema é que ao chegar no ponto de cada um,
Não os deixava descer.
Fui colocando pessoas,
Eu fui colocando tanta gente mesmo que esteja tão cheio eu continuava colocando gente
Passava perto dos pontos e ninguém descia e fui levando gente
E fui levando gente, tanta gente que quando cheguei ao final, meu veículo já não andava.
Já estava com os pneus gastos, quase sem gasolina, com a mecânica desgastada
Porque estava pesado.
Era tanta gente que eu carregava,
Gente que já poderia ter decido e pegado um outro veículo, mas eu insisti em carregar.
O que era esperado aconteceu.
De tão cheio, ficou pesado.
De tão pesado, defeituoso.
E defeituoso, parou.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Luzes


Parei na janela... luzes... 
Cidade viva...
Cintilante...
Não quero estar aqui... 
Quero essas luzes, muita luz... 
Mais um gole da cerveja, 
Jogar fora essa cruz... 
Quero ver as cores... 
Estou cansado de ver as lutas, 
Sentir dores... 
Quero as luzes...