sexta-feira, 26 de abril de 2013

Desvario.



E amanheceu com nuvens e chuva forte.
Norte era tão estranho que não via direção,
Coração sem pulso, avulso, em desuso.
E amanheceu com trovões...
Os raios eram como lanternas na minha alma,
Que me salva dos pecados e das amarguras
Mas furas o infinito e me deixa de novo aqui.
E amanheceu com lua,
E minha pele nua não flutua neste céu  pesado de promessas sem colhões,
E as emoções são meros enfeites para decoração do cenário.
Em nosso pleno ardor, nesse desvario eterno...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

No Palco do Meu Coração.


Estavas ali.
Uma tatuagem em mim.
Teu corpo no palco,
Teus gestos limpos
Vindos de uma imagem clara
Rara como a seta no alvo.
Que meu peito sejas teu espaço,
Teu palco -
O teatro de tua vida...

sábado, 23 de março de 2013

Ela Não Merece...


Ela não merece a felicidade.
Ela é negra,
Cabelo ruim,
Perambulando pela cidade.

Pouca idade,
Roupas velhas, bregas,
Atitude leve e risonha,
Quase anônima,
Se não houvesse milhões iguais por aí.

Ela não merece nada,
Anda com a farda da favela,
Da novela das oito,
Que todos veem, admiram.
Mas depois das emoções,
Desligam a televisão.

Ela é quase gente,
Seu olhar sorridente,
Ardente como o sol
Mas nunca aceito,
Como os preconceitos,
Do nosso pobre peito.

Ela é meu povo, 
Roubado de novo -
Esquecido,
Enxotado,
Enganado como bobo
Sem saber que temos
A alma e coração
Que um dia será
Visto em uma foto de uma rebelião...

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Sertão.


A seca meu sertão assola,
Minhas lágrimas minha sede mata,
O gume do facão amola,
O cacto, minha fome farta.

O poeta na caatinga morre,
O seus versos de cordel resseca,
O espírito da seca foge,
Nas mulheres que carregam latas.

Minha poesia, agora se cala,
Na dor dos meninos magros,
No agreste que a fome instala,
Que deixei no pó da estrada...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Ignorância.


O homem que se julga superior,
Se acha o ícone da retidão,
Da sofisticação
Esquece-se do seu berço e sua raiz.
Que somos feitos de humor,
Muitas vezes ácidos e até inocente.
Um povo que muitas vezes ri de suas próprias mazelas,
Que critica a intolerância,
Esbarra em "seres iluminados"
Que tem ânsia de crucificação
Com ares de santidade absoluta
Com sua inteligência e cultura "maior".
Viva a "santidade da moral e da cultura popular"...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Silêncio...


A chuva não para,
O tempo não cala,
E o que resta é cansaço e silêncio...
O ônibus passa cheio,
As pessoas olham sem desejo
E o que resta é cansaço e silêncio...
Requenta o almoço
Sem luxo e insosso
E o que resta é cansaço e silêncio...
E os minutos engatinham,
Os carros buzinam
E o que resta é cansaço e silêncio...
Bate ponto, roda – se molha,
O caminho pedregoso,
Lama engole as pernas,
Passos pesados, compassados
Sem forças para gritar odiar.
Venta frio...
E o que resta é cansaço e silêncio...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Déspotas...

Não te preocupe em fugir dos déspotas,
Eles te levantarão da tua cama,
Ama a teus colhões para que não perca tamanho;
Que teu banho não seja em ácido;
Com a coragem frouxa, bamba e flácida;
A vaidade te espreita,
E a maldade o cerca,
Volta-te para dentro,
Engole teu soluço e lamentos
E segue em frente,
Pois o mundo não para,
E excita a mente...