sábado, 12 de maio de 2012

O Tempo...


Caminho pelas vielas centenárias de minhas memórias.
Com homens e seus ternos,
Os que amam e os que são amados
Cortejados pelas prostitutas nos cabarés.
O choro das viúvas que penam
No abraços da solidão,
As estações e seus relógios mágicos,
Ávidos para degustar o tempo.
Lento.  .  .
Uma refeição saborosa para quem nos mata.
As gargalhadas do nobre em seu casarão,
O martelo do carpinteiro,
O areio do cavalo do soldado,
O fardo do agricultor,
O ator e suas histórias na praça,
A farsa que grito nos becos
E as verdades que escondo por medo.
Minha felicidade plena,
Minha canção,
Minha cena,
Meu amor e um poema.
Assim caminho pelas vielas centenárias de minhas memórias...

Mãe-Pátria I

Minha mãe pátria suja 
Me esquece numa esquina escura.
Choro a fome, sem nome.
O menino-homem no berço pobre 
Abandonado com a sorte dos inválidos,
No hálito sanguinário da dor.
Minha mãe pátria puta 

Me esquece numa esquina escura,
Sem nome, alguma alcunha. 
Nos entulhos dos becos sujos
Arrasto-me chorando, galgando as pedras
Das ruas imundas, noturnas.
O teu desprezo – fúria – insulta, 
Empurra-me para fora de mim. 
Palmadas com as mãos pesadas,
Não quer me dar o que comer.
O que serei quando crescer? 
Filho bastardo do ódio
No pódio da destruição 
Ou com revolveres da ilusão?
Minha mãe pátria suja 

Me esquece  numa esquina escura...

Silêncio...


Volto cabeça baixa.
Farto-me de cores.
Não digas nada -
Silêncio...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sementes...

Hoje quero vagar na escuridão profunda,
Oriunda de meus mais lindos sonhos.
Pelos desertos infinitos que minha dor traz-me,
Nos espinhos de flores que perfumam minhas feridas - 
Minha alma gélida – até perder a consciência.
Consciência?
Minha consciência... 
Assim lívida, vai-te.
Para que meus ossos magros 
Se transformem em sementes 
Dentre as pedras e terra dura,
Crescendo forte, seja cura
Para quem segura minha mão...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A


A letra “a” para começar.
Mas quando a caneta falha, 
A palavra incompleta.
Perde o sentido, o sentimento
No vão das linhas mal traçadas
Do texto pela metade.
Rouba inspiração,
Esconde a verdade
De toda minha emoção...

Fragmentos I


Às vezes ando em círculos,
Esbarro nos muros,
Perfuro minha perspicácia,
Minha força contraria.
Sinto-me estranho com você,
Minha força toda se reduz ao medo
Mas ainda assim te percebo um sol mais cedo...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Carta de Despedida


Venho através destas simples palavras, mas minhas,
Escrever-te essa pouca linhas.
Agradeço por você ter morado comigo,
Feito minha vida segura
Sem oscilações ou qualquer outra desventura.
Foram anos de tranquilidade,
Passos cadenciados pelas ruas da cidade.
Nenhuma surpresa ou novidade.
Dei-te meu coração,
Todos os meus pensamentos enlouquecidos
Minhas pernas, olhos e minhas mãos.
Mas infelizmente é chegado a hora de deixar-te.
Não foi maldade não,
Mas aquela menina com olhos pequenos
Convidou-me a voar.
Achei que era brincadeira, mas percebi meu corpo no ar.
Agora não consigo me ver no chão e não posso mais voltar.
Agradeço-te por me fazer enxergar,
Que meu mundo não era seu.
Encontro-te por aí,
E não me espere para o jantar,
Pois estou muito ocupado agora sendo feliz,
Sem nenhuma sombra ou escuridão.
Um abraço e tchau, companheira solidão...