sábado, 8 de janeiro de 2022

flores de maio


Quando te vi ali sentada, a beira da estrada
Com as crianças famintas e assustadas

Eu queria poder dizer para você, que tudo isso vai passar, Mas eu mesmo não consigo acreditar

 

Que tudo é  superável

 

Não criamos imagens com as nuvens

E o céu todo está cinza, tão cinza

Não vou reescrever, reinventar

Nada mais colorido

 

As fotos da cabeceira apagaram

Lágrimas não são sementes

E as flores de maio

Há tempos que não desabrocham.

 

Ele olha da janela do seu carro bonito, Um ato simplório,Joga restos de comida eum pedaço de nossas vidas

Ela segue com seu canto lamento, com olhos famintos,A guardando o final dos dias que lhe restam

E tudo é indescritível 





17 demônios


A doença corroeu a alma

Na lama o homem trama

Outro verme, outra peste

 

A farda anestesiou o ferido

O velho capacho do rei

Fala inglês, ser maldito

 

17 demônios,

17 doenças,

17 vezes que o mal vingou,

 

E agora sem, brilho no olhar,

Coração de vidro a espatifar 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Antagonista


Sou poeta, uma festa.
Não tenho poema e não tenho confete.
Um choro na felicidade e lágrimas que não saem.
futuro de velharias e velhas novidades.
A fonte sêca no pântano de terras duras.
O amargo do café na docura da rapadura.
A loucura contida e no silêncio que ensurdece.
Sou poeta, uma festa.
Sou a doçura da fera,
A fresta que se fecha.
Sou contra-mão que se anda,
Sou o inferno que acolhe a prole sem pai.
Sentimento bom na morte.
Sou poeta sem caneta e sem versos.
Sou o inverso.
o resto.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Sem palavras


Queria muito escrever mas não tinha palavras.
Olhei dentro de mim, nos rabisco que eu fazia,
Mas não encontrei nada além das travas.

Tinha dor e decepção mas não havia verbos,
adjetivos, artigos seja em português ou qualquer dialeto.
Nada.

Apenas contemplei a dor mudo e em murmúrios.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

ALMA livre


A luz pela fresta, 

o baile e o som da festa, 

o que resta de fato é o flerte. 

Ver-te alma livre, 

viagem no azul, 

bem mais ao norte, 

mas que entorte ao extremo-sul. 

Anis. 

Seu corpo leve e indolor, 

alma brincando de ciranda com as estrelas e flerte se converteu a junção.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Flor do Lixo


No meio do lixo, lodo intenso
Imerso a sujeira, sem eira e nem beira,
as margens de um corrego imundo,
Onde o sol não se aventura a iluminar
A flor brotava na escuridão fétida.

A flor nascia entre as pedras,
resistindo ao esgoto,
no roto solo envenenado
arado pelos urubus

e assim, a flor que era para ter cores,
emanar suspiros e iluminar as almas,
impedida de alcançar a luz
cresceu na escuridão, no esgoto,
endurecendo, criando crosta, desenvolvendo espinhos
mantado outras ervas e plantas ao seu redor,
que entram em seu caminho.

Flor com manchas e sujeira,
se abre e seduz os insetos,
sanguinária, carnívora com uma cruz
no seu caule como amuleto
devora,
aflora,
engole,
distroi,
dissolve...

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Dilúvio

 


Foram tantos dilúvios,

Que nem sei te falar.

Mais uma vez, o Vesúvio,

Chora as lágrimas incandescentes.

Caíram estrelas queimando o solo,

A criança estuprada no colo,

Apenas pede que tudo termine rápido.

Foi Deus, foi ele com raiva das profetizas que dormem com seus filhos ou

Foram os pobres famélicos?

Foram os homens de "bem" que matam e mentem,

Ou foi o canalha que quer dividir o pão?

São tempos de um Deus que perde em si e nos seus seguidores,

Diante de um povo acamado e com dores...