sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eu Podia...

Eu tinha muitos pães,
Salgados e doces cremosos.
Ainda que me rangessem os ossos
Preferi ficar com fome.

Tinha muita força -  
Punhos sólidos, de aço -

Mas por obra do acaso,
Preferi mais uma vez curvar-me.

Podia ter vivido muitos amores,
Mas preferi ter um medo Papageno,
Mudando assim meu destino
Pra poder me lamentar.

Tinha muita coragem,
Como a ave que protege o ninho,
Afastando o predador do caminho,
Mas preferi fugir para não lutar.

Tive chance de ser tudo,
Com força, sobriedade, amor e coragem,
Mas preferi minha pior metade
Para poder pedir desculpas e chorar...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Corpo Fechado

Não sou tão humilde assim. 
Tenho o sangue de quem luta até o fim.
Amo minha arrogância 
Alimentada na infância 
Pela espada que me mostra 
A força de meu criador, 
Meu corpo fechado para dor.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Pátria


Falo em versos.
Testo cada palavra.
Amorteço em minhas costas o florete -
Mesmo não sendo filho da sorte -
Fechando os olhos ao flerte
Que no planalto se percebe.

Finjo não ver
O massacre de almas puras
E nos abster
Das nossas armas contra a ditadura.

Meu cansaço e minha dor
Alimenta meu ódio e pavor
A tanta atrocidade.

Pois esta pátria que trago a bandeira,
Mesmo que não queira,
Não me ofereceu nada,
Nem mesmo me pariu,
Apenas me cuspiu...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Linha De Chegada...

Qual a distância 
Entre o nirvana e meu espírito,
Seguindo com ânsia 
De minha choupana pelo labirinto. 
As curvas os sinais, 
Setas indicativas, 
O caminho fácil para andar em círculos.

A alma cansada, 
A dor da morte á espada,
A linha de chegada, 
O fim da estrada...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Corro

Corro,
Corro,
Corro,
Corro,
Corro até que meus pés se cansam.
 Se lançam a frente,
 Sem chão,
 No ermo,
 Tropeço,
 Rolo,
 Sinto o solo.

 Choro...

  O sal e o sangue se misturam. 
Minhas lágrimas
 Regando minha face pálida
 Afogado na dor...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Re-construir


Reconstruir...
Montar, cortar, acrescentar, incluir...
Se passo o dia calculando
Haverá de, muitos tijolos, eu empilhar.
E serão empilhados...
Fazer do árduo presente
Um futuro novo,
Que expresse em meu rosto
A alegria do continuar...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desabafo de um cidadão brasileiro...


Sentado em meu quarto, viajo entre as rachaduras que nele estão.
Parte-me a alma saber que um homem trabalha a vida toda, de sol-a-sol para se deitar em seu leito pobre– que na maioria das vezes não é de fato seu - sem expectativa, sem um lugar decente para descansar seus ossos moídos pela longa jornada.
É para mim, estranho, pensar que temos uma constituição que fala em seu artigo sexto a obviedade de que um cidadão tem garantido seus mais primários direitos a subsistência. Morar? Ter moradia? Morar dignamente? Perguntas que se tornam tolas quando a seu conteúdo obvio. Vendo uma família em baixo de marquises, passando fome e frio e pior: tendo a dignidade roubada pelos longos anos de trabalho escravo. E onde está o cumprimento dessa lei? Onde está a lei para aqueles que ficam anos a procurar sua dignidade concretada em tijolos e cimento? Somos peças de uma maquina capitalista que corrompe a massa, deixando-a pensar que moradia, educação e outros itens deste porte são bem menos importantes que um Ipod. O sustento de seus filhos e filhas sendo degradado a cada dia por uma escória capitalista que nos suga, sangra, corrompe e escraviza nos dando em troca, pão e carnaval. Ainda que tenhamos um governo progressista, eu quero mais. Quero poder ver minhas filhas crescendo com condições de não ser escravizadas como eu fui e ainda sou. Quero poder me recolher, junto a mulher que amo, a dignidade de uma moradia descente. Quero poder ter em minhas mãos as chances e o verdadeiro controle da direção das coisas que tenho de melhor: Minha vida e minha família.
Assinado:
Cidadão Brasileiro.