segunda-feira, 16 de março de 2020

VOZ alta

Falei meu nome em voz alta,
com tanta força
que a louça soltou da parede.
É fato.
É falso.
Fantasias que quero fantasiar
mas a realidade esbofeteia e rouba-me o ar…

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O Carnaval chegou...


O Carnaval chegou...
carnavalizei...
coletivizei...
ao bater do tambor, minha'lma saía do corpo.
era droga,
era luz.

O Carnaval chegou...
Os beijos vieram...
Os braços curtos em abraços tímidos, afloraram.
Era o "eu" saindo do escuro.
Era o muro em queda...

O Carnaval chegou...
O suor e o samba,
A tristeza e melancolia tomba
O confete enfeita...

O Carnaval passou...
É quarta de cinzas,
É semana de chuva.
Turva...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

reação

pensamentos lentos - o vento.
meus olhos roxos - fosco.
o tempo para, escancara a lama.
Deito-me na cama
meio santa e meio profana
adormeço...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

cala-te

Resultado de imagem para silencio pintura"
Vejo filtro
falácias,
falta dados,
falta fatos,
farto,

transito,
insisto no caminho,
adivinho,
esqueço o objetivo
o infinito e o infinitivo.

cala-te!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

cresceu...


 
Ela deixou-me sem saber.
Não era ela,
Não era eu.
Era o que eu abominei.
Ela cresceu...
Cresceu...
Onde estamos agora?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

aborto


Foi um aborto terrível.
Depois de tantas pancadas da realidade,
Nos becos sujos da cidade,
Onde a felicidade fútil se sustenta,
Na contenda entre porcos pobres e cães,
Ela abortou.
Uma dor inigualável,
Quando sua filha Jaci,
Como olhos marejados pressentindo sua morte
Vendo o corte do cordão,
Se suja no lixão.
Foi abortada.
Não tinha como não ser diferente.
Agora é só história.

o carroceiro...



Eram três.
Eram muitas dores.
Era sol a pino,
Era esgoto e água nojenta.
Era choro.
Eram dias intermináveis em seu ardor.
Era a loucura na inocência,
Na indecência da falta de razão.

A água podre no pé do poste torto.
Não tem razões e nem vilões.
Os vilões não são vistos.
Lá tem lixo e bicho.
E gente,
e gente bicho.
O infinito em tristeza.
E o lar que tinha pouca luz,
Perdeu mais uma.

Eram três. Era ele na carroça.
Era ela nas panelas,
Era ela sorridentemente enlouquecida.
Era...
Apenas era...
E não é mais.
E na angustia das orações na madrugada,
A risada doente, a lamúria é faca afiada.
Mas o dia insistiu em amanhecer.