terça-feira, 2 de outubro de 2012

Corpo Fechado

Não sou tão humilde assim. 
Tenho o sangue de quem luta até o fim.
Amo minha arrogância 
Alimentada na infância 
Pela espada que me mostra 
A força de meu criador, 
Meu corpo fechado para dor.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Pátria


Falo em versos.
Testo cada palavra.
Amorteço em minhas costas o florete -
Mesmo não sendo filho da sorte -
Fechando os olhos ao flerte
Que no planalto se percebe.

Finjo não ver
O massacre de almas puras
E nos abster
Das nossas armas contra a ditadura.

Meu cansaço e minha dor
Alimenta meu ódio e pavor
A tanta atrocidade.

Pois esta pátria que trago a bandeira,
Mesmo que não queira,
Não me ofereceu nada,
Nem mesmo me pariu,
Apenas me cuspiu...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Linha De Chegada...

Qual a distância 
Entre o nirvana e meu espírito,
Seguindo com ânsia 
De minha choupana pelo labirinto. 
As curvas os sinais, 
Setas indicativas, 
O caminho fácil para andar em círculos.

A alma cansada, 
A dor da morte á espada,
A linha de chegada, 
O fim da estrada...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Corro

Corro,
Corro,
Corro,
Corro,
Corro até que meus pés se cansam.
 Se lançam a frente,
 Sem chão,
 No ermo,
 Tropeço,
 Rolo,
 Sinto o solo.

 Choro...

  O sal e o sangue se misturam. 
Minhas lágrimas
 Regando minha face pálida
 Afogado na dor...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Re-construir


Reconstruir...
Montar, cortar, acrescentar, incluir...
Se passo o dia calculando
Haverá de, muitos tijolos, eu empilhar.
E serão empilhados...
Fazer do árduo presente
Um futuro novo,
Que expresse em meu rosto
A alegria do continuar...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desabafo de um cidadão brasileiro...


Sentado em meu quarto, viajo entre as rachaduras que nele estão.
Parte-me a alma saber que um homem trabalha a vida toda, de sol-a-sol para se deitar em seu leito pobre– que na maioria das vezes não é de fato seu - sem expectativa, sem um lugar decente para descansar seus ossos moídos pela longa jornada.
É para mim, estranho, pensar que temos uma constituição que fala em seu artigo sexto a obviedade de que um cidadão tem garantido seus mais primários direitos a subsistência. Morar? Ter moradia? Morar dignamente? Perguntas que se tornam tolas quando a seu conteúdo obvio. Vendo uma família em baixo de marquises, passando fome e frio e pior: tendo a dignidade roubada pelos longos anos de trabalho escravo. E onde está o cumprimento dessa lei? Onde está a lei para aqueles que ficam anos a procurar sua dignidade concretada em tijolos e cimento? Somos peças de uma maquina capitalista que corrompe a massa, deixando-a pensar que moradia, educação e outros itens deste porte são bem menos importantes que um Ipod. O sustento de seus filhos e filhas sendo degradado a cada dia por uma escória capitalista que nos suga, sangra, corrompe e escraviza nos dando em troca, pão e carnaval. Ainda que tenhamos um governo progressista, eu quero mais. Quero poder ver minhas filhas crescendo com condições de não ser escravizadas como eu fui e ainda sou. Quero poder me recolher, junto a mulher que amo, a dignidade de uma moradia descente. Quero poder ter em minhas mãos as chances e o verdadeiro controle da direção das coisas que tenho de melhor: Minha vida e minha família.
Assinado:
Cidadão Brasileiro.

sábado, 30 de junho de 2012

Alguém


Mar que banha meu ser,
Leito florido com perfume único
Deleitar-me no corpo seu.

Forma máxima de prazer,
Buscando meus desejos mais íntimos
Teste de fogo neste peito meu.

Galgar em todo meu querer,
Este lago profundo os lábios úmido,
Raros como azul do mar,
Gaudiando meus sonhos que se perdeu...