segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Minhas Palavras



Minhas palavras são muitas,
Um vasto dicionário
Que no dia-a-dia
Consertam os pequenos erros -Meros equívocos.
Mas quando o peito parte,
Os olhos ardem,
Minhas palavras se vão
Tão longe que acho que nunca existiram.
Mas pra ti
Deixo meu coração,
Que mesmo mudo
Diz tudo que as palavras
Não disseram...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fênix



Choro.
Cortastes minhas asas -
Arrancadas a golpes de ingratidão.
Foges.
Calastes minhas gargalhadas,
Sufocadas pela solidão
Rastejo.
Salivo o pó da estrada,
Encruzilhada sem direção.
Ergo-me.
Afugento meu medo com força
Da espada em minhas mãos...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Teu Beijo


Quero teu beijo

Sem jeito

Que alegras

Minha vida

A lida

Feridas

Um pedaço de céu

Ao léu

Com graça

As flores

A praça

O doce do pote

O forte

Tua grandeza

A pura beleza...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ferido


Machuquei o passaro que voava baixo

Anicho

Suga-me o penhasco

Brinco com a morte

E desfaço as entorces

Levanto-me...

sábado, 22 de outubro de 2011

O Supermercado

Comprei um momento dentro do meu pensamento gratuito.
Vaguei por alguns instantes, nas estantes e prateleiras,
Super lotado no supermercado da inconsciência.
Kilos de decepções, amostra grátis de desamor,
A intolerância era promocional.
Como tal era a procura o valor ficou maior.
Mas o campeão em vendas, 
Na maior gôndola e tenda, 
Era a solidão que todos 
Faziam filas para encher os bolsos...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Matei-o



Matei-o.
Covardemente matei-o.
Insultava-me de forma vil
Com teu silencio mórbido
E suas promessas infames - 
O ópio que destrói - 
Calado sorridente.
Ameaçava-me de morte,
Espalhando cortes pelo corpo
Com teu rosto oculto e ingênuo. 
Espreitava-me a espada ao meu peito 
Impondo-me ao leito.
Minha redenção no inferno, 
Meus defeitos
Velhos e decadentes,
Ainda assim, 
Matei-o. 

Matei-o. 
Chorei os dias imensos 
Com sentimento morto
Como um corpo no poço profundo.
As escondidas, matei-o.
Amaldiçoei-lhe o espírito puro.
Criastes um muro entre eu e as virtudes inexoráveis
Que em minha alma tangiam.
Matei-o. 

Matei-o.
Com vontade e medo,
Com o ledo engano da certeza
Do corpo no leito,
Feito a luxuria dos desnudos
Em gozo profano,
Matei-me.




sábado, 15 de outubro de 2011

Dia Claro


Voce apareceu
Não te permitir
Invadir
Meu espirito

Tempestade atroz
Rio em sua foz
Eclipse induzido

Paraíso e dor
Tenue calor
As portas do Hades

Nada mais restou
Só um "por favor"
E não me ligue

Não vejo nada
No espelho
Estou velho
Voz que não alcança o ar

Só sinto
Meus pés
No convés
De uma nau a deriva

Amor assim
Dentro de mim
Jóia rara

Você é assim
Flor do jasmim
Dia claro...