terça-feira, 1 de setembro de 2015

Palavras que não leio

As palavras podem cortar,
Algumas sangram que dá dó.
E fico assim: só o pó.
Mas um dia eu desaprendo a ler.
Ficou ignorante e feliz,
Como eu sempre quis.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Batalhas

Fiz da minha vida uma grande Cruzada.
E luto as maiores batalhas.
E em luto as mortes pelos campos.
As vezes penso no que se destruiu, 
As ruínas que causei.
O soldado que me transformei.
Não sei.
Caminhei anos a fio com meu estandarte.
Amando minha bandeira e minha espada como se ama a arte 
Mas sempre esquecendo meus companheiros.
Não tem jeito,
Tenho que deixar alguém para trás.

Acho que foi necessária algumas guerras.
Não aprendi a ser passivo
Ou pacifistas.
Mas insisto!
Queria que algumas pessoas me acompanhassem nessas batalhas.
Mas sou incapaz de enxergar o homem como homem.
Choro por dentro.
Lamento, mas sou fruto de um meio que é metade.
Eu não soube ser tudo ou todo,
Quando me faltaram palavras e afagos.
Um mundo "moderno" no eterno luto
Das lutas vãs.   

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Singular

Olho o olho que olha os fatos...
Farto com falas que fazem o *nada*...
Nado, mergulho da nau a deriva...
Devasso demônios e delinquentes despidos de si...
Singular... 

domingo, 28 de junho de 2015

O Boêmio

Andei pelo centro de Belo Horizonte.
Parece que tem anos que não o faço.
Meus passos curtos olhando as luzes,
Um domingo, a noite e as risadas.
Pensei: onde eu estava esse tempo todo?
Caído em algum lugar? Morto?
Não sei.
Sei que me veio um saudade enorme de beber as primeiras cervejas na Savassi
E terminar nos bares da Rodoviária.
Aquele pão com pernil que pode matar.
Mas antes, matou minha fome.
Os bares, as conversas, o Malleta...
Viram aquela tribo?
Eu já estive alí. 
Assim me pegunto:
Onde estou?
Estou no centro de Belo Horizonte e em lugar nenhum...

domingo, 7 de junho de 2015

Sou livre, louco e lerdo

Sou livre, louco e lerdo.
Lerdo?
Mudo meu dia, mudo minha alma
Mas não me salvo.
Serei o alvo?
Sou livre.
Tenho o vento na cara.
Um vendaval me leva.
Mas leva para onde não quero ir.
Sou livre.
Leio livros e disserto.
Certo que livre sou?
Mato a todo instante.
Com risadas graves.
Rir de loucura, de desespero me centro.
Sou louco?
Talvez um pouco
Pelo "eu" que tenho guardado
Em meios a diamantes e farrapos.
Então te peço:
Não doa mais meu peito
Pois sou livre, louco e lerdo.



domingo, 10 de maio de 2015

Por Onde?

Volto...
   Venho...
A mim...
   Aos Outros...
Inseguro...
   Altivo...
Luto...
   Me sento...
A luta...
   Pacífico...
Interna...
   Projetado.
Paro...
   Bailo...
Onde?
   Até quando?
....

segunda-feira, 16 de março de 2015

O Espelho

Eu caminhei num labirinto de espelhos.
Fiquei vagando por anos naquele lugar estranho.
Gritei por várias vezes meu pai, minha mãe mas nada.
Só conseguia ver meus olhos vermelhos.
Os mesmos que eles viram nascer,
E que agora, viam sumir no caminho.
Só senti minhas dores.
Só vi minhas cores.
Não vi nenhum rosto diferente.
Só via a minha face.
Mais ninguém diferente ou com disfarce.
E mesmo que eu me desfaça, o que sobrava era apenas eu.
Pensar em mim,
Buscar para mim.
E só.
Mais ninguém a minha volta.
Nenhum choro o lamento que não seja o meu próprio.
E como embebido no ópio eu seguí.
Preso ao espelho das paredes
Como quem olha sua imagem na água.
Preso em mim,
Neste labirinto sem fim.