Fiz da minha vida uma grande Cruzada. E luto as maiores batalhas. E em luto as mortes pelos campos. As vezes penso no que se destruiu, As ruínas que causei. O soldado que me transformei. Não sei. Caminhei anos a fio com meu estandarte. Amando minha bandeira e minha espada como se ama a arte Mas sempre esquecendo meus companheiros. Não tem jeito, Tenho que deixar alguém para trás. Acho que foi necessária algumas guerras. Não aprendi a ser passivo Ou pacifistas. Mas insisto! Queria que algumas pessoas me acompanhassem nessas batalhas. Mas sou incapaz de enxergar o homem como homem. Choro por dentro. Lamento, mas sou fruto de um meio que é metade. Eu não soube ser tudo ou todo, Quando me faltaram palavras e afagos. Um mundo "moderno" no eterno luto Das lutas vãs.
Olho o olho que olha os fatos... Farto com falas que fazem o *nada*... Nado, mergulho da nau a deriva... Devasso demônios e delinquentes despidos de si... Singular...
Andei pelo centro de Belo Horizonte. Parece que tem anos que não o faço. Meus passos curtos olhando as luzes, Um domingo, a noite e as risadas. Pensei: onde eu estava esse tempo todo? Caído em algum lugar? Morto? Não sei. Sei que me veio um saudade enorme de beber as primeiras cervejas na Savassi E terminar nos bares da Rodoviária. Aquele pão com pernil que pode matar. Mas antes, matou minha fome. Os bares, as conversas, o Malleta... Viram aquela tribo? Eu já estive alí. Assim me pegunto: Onde estou? Estou no centro de Belo Horizonte e em lugar nenhum...
Sou livre, louco e lerdo. Lerdo? Mudo meu dia, mudo minha alma Mas não me salvo. Serei o alvo? Sou livre. Tenho o vento na cara. Um vendaval me leva. Mas leva para onde não quero ir. Sou livre. Leio livros e disserto. Certo que livre sou? Mato a todo instante. Com risadas graves. Rir de loucura, de desespero me centro. Sou louco? Talvez um pouco Pelo "eu" que tenho guardado Em meios a diamantes e farrapos. Então te peço: Não doa mais meu peito Pois sou livre, louco e lerdo.
Volto... Venho... A mim... Aos Outros... Inseguro... Altivo... Luto... Me sento... A luta... Pacífico... Interna... Projetado. Paro... Bailo... Onde? Até quando? ....
Eu caminhei num labirinto de espelhos. Fiquei vagando por anos naquele lugar estranho. Gritei por várias vezes meu pai, minha mãe mas nada. Só conseguia ver meus olhos vermelhos. Os mesmos que eles viram nascer, E que agora, viam sumir no caminho. Só senti minhas dores. Só vi minhas cores. Não vi nenhum rosto diferente. Só via a minha face. Mais ninguém diferente ou com disfarce. E mesmo que eu me desfaça, o que sobrava era apenas eu. Pensar em mim, Buscar para mim. E só. Mais ninguém a minha volta. Nenhum choro o lamento que não seja o meu próprio. E como embebido no ópio eu seguí. Preso ao espelho das paredes Como quem olha sua imagem na água. Preso em mim, Neste labirinto sem fim.